segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mercedes Sosa, uma voz que todos precisam conhecer

Mercedes Sosa


A cantora Argentina Mercedes Sosa morreu neste final de semana e a imprensa a classifica como sendo a cantora que lutou contra a ditadura na América Latina. Isso é pouco. É uma maneira burocrática de se falar de Mercedes de sua geração. Desde o início dos anos 60 a música folclórica foi um jeito encontrado para se lutar com os desmandos de governos. Foi por exemplo, com Peter, Paul and May, Joan Baez nos Estados Unidos. No Brasil nos anos 60 foram os sambas e nos anos 70 as músicas de raiz. Da África veio à voz de Mirian Makeba. De todos os cantos do mundo tinha uma voz cantando uma música folclórica para lutar contra desmandos e ditadura. Foi nesse contexto que Mercedes Sosa floresceu. Vestida de negro, batendo bumbo, cantando com sua voz de contralto Mercedes no palco era uma figura lúgubre e lamentosa anunciando que o tempo era de sofrimento. Assim como Joan Baez, Mercedes passou de música folclórica para músicas contemporâneas que protestassem. Joan Baez gravou Bob Dilan e Mercedes gravou Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui, Ernesto Grenet. Nos anos 70 já havia uma resistência musical que unisse a américa latina. Artistas como Dércio Marques, Diana Pequeno, Pena Branca eXavantinho, Tarancon começaram a mesclar essa diversidade musical andina e brasileira. Mercedes vem para São Paulo e canta com Milton Nascimento e sua integração com o lado de cá dos andes estava completa. Mercedes tinha a sensibilidade de escolher músicas como “Gracias a La Vida” como um hino a vida e a raça humana e que estava sendo dizimada pelas ditaduras latinas e guerra do Vietnan. O carinho e a devoção materna que protege sua criança diante das mazelas do mundo em “Duerme Negrita”. E assim Mercedes com sua geração foi dando um alento ao desespero humano, criando uma esperança. Até sua morte ela foi contemporânea dando espaço para as novas gerações como por exemplo Fito Paes e cantando com veteranos como Charles Aznavour. Mercedes tocou os corações dos engajados, dos apaixonados, dos poncho e congas, enfim todos aqueles que viam na música um mundo melhor.

Lazaro de Oliveira

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

cantoras que podemos achar nos sites

Cristiane é uma dessas cantoras amadoras que descobrimos pela internete e que vale a pena dar uma olhada. Brasileira, trabalhando como graphic designer no Canadá faz cover de músicas de sucesso e canta direitinho. Desconhecida pela maioria de nós brasileiros, grava suas canções no computador criando uma intimidade de quem canta sozinha no seu quarto. Faz cover de sucessos como ,Dream a Little Dream of Me – (cover)Mama Cass, Smile (cover) Nat King Cole, La Vie en Rose (cover) Edith Piaf, Stormy Weather (cover) Billie Holyday,Rocket Man (cover) Elton John, All of Me (cover) Elton John. Abrindo o endereço logo mais abaixo além desse covers podem ser acessados outras gravações e prestem atenção como ela se dedica a cantar. Abaixo as informações disponibilizadas para saber quem é essa cantora misteriosa.


cityofsun88
Participante desde: 26 de março de 2008,
Nome: Cristiane
País: Canadá Profissão: Graphic Designer

Interesses e passatempos: Music, Movies, Reading, Animals, Arts in general, Philosophy, Mythology, History...

Filmes e programas: so many!!! I'll write it up later!

Música: Jazz, Soul, Blues, Bossa Nova, Pop, Rock, Alternative, Samba, MPB, Salsa, Classical, World Music, Accoustic... Dinah Washington, Ella Fitzgerald, Etta James, Anita O'day, Monk, Dave Brubeck Band, Louis Armstrong, Tom Jobim, Billie Holyday, Amy Winehouse, Jack Johnson, Smokey Robinson, Cat Stevens, John Denver, Elton John, Stevie Wonder, Ray Charles, Quincy Jones, Astrud Gilberto, Seu Jorge, Ana Carolina, Maria Callas, Nelly Furtado, Caetano Veloso, Djavan, Lulu Santos, Rita Lee, Elis Regina, Maria Rita, Zeca Pagodinho, Celia Cruz, Shakira, Cassia Eller Justin Timberlake, Elvis Presley, Tony Bennett, Frank Sinatra...


http://www.youtube.com/watch?v=utrsYs-af9A&feature=PlayList&p=941CAB4047061D5F&index=0&playnext=1

Outra surpresa foi encontrar a canção “É com esse que eu Vou” de Pedro Caetano cantada por Luba Mason, outra cantora desconhecida por nós e que no CD Krazy Love grava a música. Ao buscar saber quem é essa eslovaca de voz macia descobri que ela é super elogiada pelos fans de jazz e atua na Broadway onde fez o papel de Velma no musical Chicago contracenando com Brooke Shields. Velma foi interpretada no cinema por Caterine Zeta-Jones. Luba também é atriz e está sempre coadjuvando nas séries de TV. Luba é casada com o cantor e ator panamenho Ruben Blades e gosta do que chama de "cool, Brazilian mood”. No acesso abaixo vc pode encontrar o disco Krazy Love na Amazon e ouvir um pedaço de cantando a música de Pedro Caetano.

http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/B001MIG27O/accuradio/


Outra descoberta é Sophie Milman. Russa que passou a adolescência em Toronto no Canadá e se encantou com vozes como Ella Fitzgerald, Mahalia Jackson. E assim fez sua carreira elogiada pelos críticos de jazz. Abaixo um link para ouvir Sophie cantar alguns trechos de suas gravações.
http://www.amazon.com/gp/product/B000V9U7T4/ref=pd_krex_dmusic_artist_rd?ie=UTF8&parent=B000V9W67A

Dessa outra cantora. Greta Matassa não consegui muita informação mas vale ouvi-la cantar.,
http://www.amazon.com/Two-Road-Mimi-Greta-Matassa/dp/B00009RDGM

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Morre Mary Travers do grupo Peter, Paul and Mary. Quem mesmo?


Esse é um bom momento para lembrar o que foi o trio Peter, Paulo and Mary. Vamos situar esse trio no início dos ano 60 quando se dedicava a música folclórica americana. Por favor não é musica country é folclórica mesmo. O rock deixava de ser um canal de expressão da classe média americana já que tinha sido domesticada pela indústria cultural e se transformado em twist, hully Gully etc. As canções folclóricas eram de uma certa forma ingênuas e que pairavam pelo imaginário popular americano. As vozes eram muito bem trabalhadas e de ricas harmonias.

Essa qualidade vocal vai influenciar enormemente as novas gerações como Joan Baez, Simon and Garfunkel, The Mamas and Papas e Bob Dylan. Por serem pacifistas, não podemos esquecer que a ameça nuclear estava logo mais ali na esquina celebrando a guerra fria, acabaram se transformando em representantes do que ficou conhecido por “música de protesto”.

Em tempo: a guerra do vietnan e a luta pelos direitos civis do negros ajudavam nesse clima de protesto.

No encontro anual de música folclórica em 1963 nos Estados Unidos o trio apresentava ao público “Blowin’In The Wind” do novato Bob Dylan. E foi neste festival que Pete Seeger canta “Guantanamera”, uma canção que fala sobre uma garota nascida em Guantanamo em Cuba e foi a canção mais cantada pelos revolucionários cubanos nas noites em que a saudade da família e da namorada era tão companheira quanto a arma que carregavam. “Guantanamera” faria sucesso na voz do grupo Sandipipers e mais tarde na voz de Trini Lopes.

Poucos anos mais tarde Bob Dylan era vaiado neste mesmo festival por usar guitarras elétricas da mesma maneira que conservadores criticaram os tropicalistas por colocar guitarra em sambas.

Peter, Paul an Mary seguiram cantando músicas cuja ingenuidade era um porto para se sonhar por dias melhores e felizes. Cantaram Lemon Tree, aquela que traduzida fez sucesso nas voz de Wilson Simonal, 500 Mile, If I Had a Hammer, no Brasil faria sucesso com a versão italiana de Rita Pavone, Puff The Magic Dragon, This Land is Your Land do possível primeiro beatnic Woodie Gutrie que correu os estado Unidos com violão cantando sua músicas, Cruel War e El Salvador. Eram outros tempos em que a solidariedade era um bem maior que a individualidade e que hoje sem dúvida deixa um gosto de um saudosismo ingênuo.
Um dos momentos mais importantes do Trio quando foram convidados para cantar em 24 de abril de 1971 em Washington na marcha contra a guerra do vietnam.
Dias antes da marcha cantaram com o reverendo Martin Luther King, isso dá uma mostra do que foi esse trio e o que representavam para os jovens da época.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Gainsburg e a música francesa

Gainsbourg Imperial


Dentro da programação Ano da França no Brasil foi maravilhoso rever o quanto importante foi a cultura francesa para com essa terra mãe gentil. A França foi pra nossa cultura um berço de civilização e cultura. Foi essa cultura que nos deu a USP – Universidade de S. Paulo e foi na Sorbonne que alunos da USP se tornariam mestres. Foi a França que nos anos 50 embalou a nós brasileiros e aos americanos a angústia da guerra fria onde a guerra atômica poria fim ao mundo. Jazzistas rumaram a França numa diáspora provocada por uma reação ao movimento dos direitos civis dos negros e pelo mercado que via no rock um novo jeito de ganhar dinheiro. Em Paris cabarés eram palcos de improvisações onde a poesia, jazz e dança juntos mostravam a angústia de viver nesses tempos. Hoje, esse tipo de manifestação tem nome, performance, na época eram conhecidas como existencialistas. Foi um fenômeno mundial, nos Estados Unidos surgiram os beatnics. Na França surgia os poetas e letristas como Serge Guinsbourg, Jacques Brel, Michael Polnaref e Jacques Dutronc. Era o existencialismo na sua totalidade. Como amar se a vida não é perfeita, o mundo vai acabar e temos de ser felizes agora. E se tornaram poetas, letristas, atores, diretores de filme a tratar desses tempos. Malditos por se embriagar, brigar, fugiam do bom mocismo que a França esperava dessa geração pós guerra.
Suas musas, bonitas e despidas de pudor eram as que melhor podiam expressar naquela voz suave e meiga o que passava na alma francesa daquela geração. Estavam lá para serem amadas, Jane Birkin, Anna Karina, Françoise Hardy, Mirrele Darc, Brigitte Fontaine, Juliette Greco, Silvie Vartan, Marie Laforet. E foi um pouco disso que se viu no palco do SESC Pinheiros onde a Orquestra Imperial prestou uma homenagem a Serge Gainsburg. Das 21 músicas apresentadas 15 eram de Gainsburg cantadas por Thalma de Freitas e Nina Becker cantoras da Orquestra Imperial, por Caetano Veloso e a Jane Birkin. Músicas delicadas e de sentimentos profundos que a orquestra, que tradicionalmente toca músicas mais ritmadas soube dar conta. Participaram da homenagem o maestro Jean-Claude Vannier que trabalhou com Gainsbourg que e foi responsável pelos arranjos. Hoje a música francesa é tudo menos o que foi apresentado no palco. A hegemonia da música americana na Europa principalmente na França nasce da idéia de que tudo o que era feito nos Estados Unidos é moderno e a França precisava se modernizar. Hoje, a música francesa é muito mais o que é composta por imigrantes africanos que lá se refugiaram do que o acordeon das noite parisienses. Hoje a droga supre tudo o que a música no passado ajudava a lidar e essa geração foi importante principalmente quando se vê que os poetas eram muito feios e as musas eram bonitas e nós pobres adolescentes desajeitados também teríamos chance de amar uma musa tão bonita quanto as francesas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A TETA ASSUSTADA
 
Uma revista semanal brasileira que seria a única a entrevistar a Deus quando a imprensa for noticiar o fim do mundo desqualificou o filme peruano a Teta Assustada da diretora Cláudia Llosa. É legitimo não gostar do filme e apontar suas falhas mas falta aí um gesto de compreensão. Teta assustada foge aos filmes que tradicionalmente assistimos vindos de Hollywood com começo, meio e fim e que de alguma maneira sabemos o final. Teta Assustada conta a história de Fausta que tenta enterrar a mãe antes do casamento do primo. Um defunto em casa durante a cerimonia não fica bem. O filme é a luta de Fausta para enterrar a mãe e lidar com seus conflitos. A mãe de Fausta quando grávida dela foi violentada e segundo as crendices peruanas o leite materno transmite esse horror vivido pela mãe durante a amamentação, é a Teta Assustada a que se refere o título do filme. Se essa crendice existe ou foi invenção da diretora não importa é isso que vai nortear o filme. Para não viver o mesmo momento de aflição Fausta carrega em sua vagina um tubérculo, provavelmente uma batata e que de tempos em tempos tem de cortar as ramas que dela nascem. Assim Fausta se sente segura. É um filme que se remete ao realismo fantástico que só podia nascer na América pelas suas crendices fantásticas e tão bem aproveitadas por Garcia Marques e Murillo Rubião. Afinal não é a América o paraíso perdido onde tudo acontece, onde existe o Eldorado e a fonte da juventude, não é aqui que existe o boi voador, e que não existe pecado abaixo do equador e é também abaixo do equador que o vinho azeda. É lidar com a miséria humana com muita fantasia. O filme mostra o triste dia a dia daquela comunidade pobre da periferia de Lima e como esse realismo fantástico ajuda a enfrentar tudo isso. No meio daquela pobreza nasce uma piscina escavada no chão que é o deleite da família. Fausta improvisa uma espécie de parlenda, não uma canção, que aprendeu com a mãe onde canta suas preocupações em lingua nativa Quichua. Fausta tentar despachar o corpo da mãe em um ônibus comum mas não consegue e vai trabalhar em casa de uma "bem de vida" para ganhar o suficiente para enterrar a mãe. A dona da casa onde Fausta trabalha é pianista e transforma uma de suas parlendas em música que faz sucesso em um recital sem nada dar a Fausta. E não é isso que a indústria cultural faz com a cultura nativa. Supor que Teta Assustada ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim deste ano e de melhor atriz para Magaly Solier no festival de Gramado também deste ano por ser um universo exótico é muito pouco para entender o filme.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Tempos de Paz quando texto é mais texto

Tempos de Paz que abriu o Cinema Judaico e que logo entrará em cartaz em S. Paulo é um filme que merece ser visto. Um drama cuja força está no texto. E é fácil entender porque. O texto original, Novas Diretrizes para Tempos de Paz, nasceu como teatro quando seu autor Bosco Brasil participa do Projeto de Dramaturgia do Teatro Ágora em novembro de 2001. Era um momento de experimentar linguagens e o texto experimentou emoções e conflitos. O texto é curto de apenas uma hora. Tudo se passa em 18 abril de 1945 no Rio de Janeiro quando o polonês Clausewitz desembarga fugindo da europa em guerra ao lado de outros que também fugiam. O Brasil era o local escolhido por Clausewitz por que sua lingua, o português do Brasil é sonora, cheia de balanço e portanto bonita. Um povo que fale essa lingua tem de ser um povo especial com o qual queria contribuir com seus braços como agricultor. Nesse dia o Brasil era um caos. Os aliados tinham vencido a guerra mas o armistício ainda não havia sido assinado. Com a derrota do nazifascismo Getulio Vargas anistia os presos políticos e ninguém da polícia politica sabe como agir. Foram anos caçando e torturando os opositores do regime que ao solta-los a burocracia repressiva está perplexa a espera de novas diretrizes para tempos de paz. Ao passar pela alfândega e demonstrando seu entusiasmo, esperança com a terra escolhida e exibindo seu português auto didata Clausewitz chama atenção da polícia portuária e o levam o entusiasmado polonês ao comissário do porto Segismundo. E a partir daí é um duelo de diálogos e emoções pouco visto no cinema que sempre careceu de bons diálogos. Frente a frente os dois personagens buscam construir sua identidade em uma nova situação. Segismundo um torturador que por sua ocupação se vê sozinho num novo mundo de liberdade onde ele não tem lugar e o pouco que resta de autoritarismo exerce naquele pobre Clausewitz. Este desacreditado com o velho mundo vem ao novo construir sua nova vida e identidade. Do velho mundo ele não quer nada e por isso troca de profissão, deixa de ator para ser agricultor. O Brasil precisa de braços para a agricultura repete Clausewitz várias vezes diante de Segismundo. O Filme é um adereço, uma moldura para que Toni Ramos (Segismundo) e Dan Stulbach (Clausewitz) defendam seus personagens. Um Tour de Force, uma queda de braço de interpretação. Os dois atuam juntos desde 2002 quando estrearam na Casa de Cultura Laura Alvim e percorreram o Brasil com o espetáculo. Dan está há mais tempo. Foi ele quem em novembro 2002 estreou no Ágora e no papel de Segismundo teve primeiro Jairo Mattos e depois Paschoal da Conceição. Só no ano seguinte é o texto volta a ser montado quando Toni Ramos busca um novo texto para montar e encontra Dan Stulbach e Novas Diretrizes em Tempos de Paz. Com o sucesso do espetáculo no teatro estimula Daniel Filho a transforma-lo em filme. Com câmera mais próxima dos atores do que os olhos de uma platéia de teatro pode-se perceber que depois de tantas apresentações Toni e Dan refinaram seus personagens onde qualquer gesto ou expressão facial pertencem aos personagens e não aos atores. O filme peca com o personagem do médico feito por Daniel Filho, diretor do filme. Sua presença quebra a tensão criada pelos personagens centrais, sua presença não acrescenta nada do que foi dito pelos personagens. Fica melodramático. O impasse dos dois personagens só se resolve quando Clausewitz declama o texto “ A Vida é um Sonho” de Calderon de La Barca para Segismundo que nunca tinha ido ao teatro. E nesse momento teatro redime os dois personagens e é a prova de amor ao teatro do autor Bosco Brasil


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Motown, 50 anos de musica negra americana

A gravadora Motown está completando 50 anos este ano e muitas das coisas que se escreveu foi a sua importância para música pop quando na verdade é música negra da maior qualidade. Penso aqui que a designação de pop é ser popular ou seja de agradar ao maior número de pessoas. Na verdade e música pop é reducionista para usar uma expressão frankfurtiniana. Os saltos qualitativos de criatividade da música pop é o sequestro que faz da criatividade de outras músicas como jazz por exemplo. A Motown por definição é música negra. Quando se pensa que um sucesso da Motown é pop é mais no sentido de dar qualidade a música pop e não situa-la na sua esfera de origem, a música negra americana. A Motown surge no final dos anos 50 quando os Estados Unidos está com sua indústria cultural a todo vapor. A música negra passara por duas experiências dramáticas. A primeira foi domesticar o jazz através das bandas brancas o que obrigou os músicos de jazz negro a procurarem seu espaço e nasce o Bebop. O rock nada mais é do que tentativa da classe média americana de tocar o Rithm & Blues. Assim como o jazz tinha uma expressão muito forte e foi domesticado para uso e diversão da classe média acontece o mesmo com rock. Nasce musicas mais comportadas como Hully Gully e o Twist. O rock com sua essência negra vai ressurgir nos anos 60 com o rock inglês que bebe mais da fonte do blues.

Assim podemos resumir a história da Motown:

Motown Records, também conhecida como Tamla-Motown, é uma gravadora americana de discos fundada em 14 de dezembro de 1959 por Berry Gordy Jr. na cidade de Detroit, estado americano de Michigan conhecida como "Motor Town", devido às montadoras de automóveis ali instaladas. O nome da gravadora é uma redução de "Motor Town". Nos anos 60 foi a mais bem sucedida na criação daquilo que se tornou conhecido como O Som da Motown, um estilo de "soul" bem característico, com o uso de instrumentos como pandeiros, baterias e instrumentos do "rhythm and blues" além de um estilo de 'canto-e-resposta' (com a repetição, por parte do coral, de frases inteiras ou palavras de alguns versos) originário da música gospel. O "som da Motown" também é marcado pelo uso de orquestração e instrumentos de sopro, por harmonias bem arranjadas e outros refinamentos de produção da música , e é considerado precursor da Era Disco dos anos 70. A música e a dança sempre foram característica da música negra na america latina e era natural que a dance music fosse conseguencia.
Apesar de terem existido músicos negros norte-americanos de grande sucesso antes dos anos 60, incluindo Louis Armstrong, Ella Fitzgerald, Nat King Cole, e Chuck Berry, a Motown foi a mais importante lançadora de artistas negros desde seu surgimento até o surgimento do chamado "hip hop". Foi também a primeira a lançar músicas que deixavam de lado o puro e simples lirismo e mergulhavam também em temas socio-políticos.
Foi também a criadora dos chamados 'girl groups', como Martha & the Vandellas e The Supremes. Seus artistas eram vestidos, penteados e coreografados de modo impecável, para exibições ao vivo nas tevês e shows. Deveriam, para a gravadora, funcionar como uma espécie de "embaixadores" para outros artistas negros norte-americanos em busca de sucesso.” Essas coreografias se moldavam de alguma forma ao contexto de produção cultural. Tinham de ter balanço e criatividade sem gestos agressivos que tanto assusturam a classe média americana ao ver seus filhos rebolando e condenados a danação do inferno.

A Motown não é a primeira gravadora negra, já existiu a gravadora Okey que gravou por exemplo os primeiros trabalhos do maestro e bandleader Duke Ellington. O que faz com que a Motown tenha um som diferenciado são os músicos que pertenciam ao seu cast. Eles se autodenominaram os “Funk Brothers” e se tornaram a maior máquina de criar sucessos da história da música popular. Essa é a história deles. Em 1959, Berry Gordy reuniu os melhores músicos da cena do jazz e blues para iniciar a edição de canções para sua nova gravadora. Durante um período de mais de catorze anos, eles foram seus fundadores, com “My Girl”, “Ain’t No Mountain High Enough”, “What’s Going On”, “I’ve Heard it Through the Grapevine” e todos os sucessos da época da Motown em Detroit. Ao final da sua fenomenal jornada, esse inusitado grupo de músicos compôs a maioria dos primeiros colocados das paradas musicais, superando os Beatles, Beach Boys, Rolling Stones e Elvis Presley juntos – o que os torna a maior máquina de produzir sucessos da história da música popular. Eles se autodenominaram os “Funk Brothers”. Influenciaram de tal maneira que o sucesso "Please, mrs Postman" de 1963 com as Marvelletes voltam a fazer sucesso com os Beatles e com os Carpenters. A sede da Motown era a casa onde o negros podiam se reunir e produzir música. E a industria cultural americana teve de absorver por que alí estava uma boa mercadoria a ser consumida e sua produção artística transcendia ao mercado.