Mercedes Sosa
A cantora Argentina Mercedes Sosa morreu neste final de semana e a imprensa a classifica como sendo a cantora que lutou contra a ditadura na América Latina. Isso é pouco. É uma maneira burocrática de se falar de Mercedes de sua geração. Desde o início dos anos 60 a música folclórica foi um jeito encontrado para se lutar com os desmandos de governos. Foi por exemplo, com Peter, Paul and May, Joan Baez nos Estados Unidos. No Brasil nos anos 60 foram os sambas e nos anos 70 as músicas de raiz. Da África veio à voz de Mirian Makeba. De todos os cantos do mundo tinha uma voz cantando uma música folclórica para lutar contra desmandos e ditadura. Foi nesse contexto que Mercedes Sosa floresceu. Vestida de negro, batendo bumbo, cantando com sua voz de contralto Mercedes no palco era uma figura lúgubre e lamentosa anunciando que o tempo era de sofrimento. Assim como Joan Baez, Mercedes passou de música folclórica para músicas contemporâneas que protestassem. Joan Baez gravou Bob Dilan e Mercedes gravou Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui, Ernesto Grenet. Nos anos 70 já havia uma resistência musical que unisse a américa latina. Artistas como Dércio Marques, Diana Pequeno, Pena Branca eXavantinho, Tarancon começaram a mesclar essa diversidade musical andina e brasileira. Mercedes vem para São Paulo e canta com Milton Nascimento e sua integração com o lado de cá dos andes estava completa. Mercedes tinha a sensibilidade de escolher músicas como “Gracias a La Vida” como um hino a vida e a raça humana e que estava sendo dizimada pelas ditaduras latinas e guerra do Vietnan. O carinho e a devoção materna que protege sua criança diante das mazelas do mundo em “Duerme Negrita”. E assim Mercedes com sua geração foi dando um alento ao desespero humano, criando uma esperança. Até sua morte ela foi contemporânea dando espaço para as novas gerações como por exemplo Fito Paes e cantando com veteranos como Charles Aznavour. Mercedes tocou os corações dos engajados, dos apaixonados, dos poncho e congas, enfim todos aqueles que viam na música um mundo melhor.
Lazaro de Oliveira
A cantora Argentina Mercedes Sosa morreu neste final de semana e a imprensa a classifica como sendo a cantora que lutou contra a ditadura na América Latina. Isso é pouco. É uma maneira burocrática de se falar de Mercedes de sua geração. Desde o início dos anos 60 a música folclórica foi um jeito encontrado para se lutar com os desmandos de governos. Foi por exemplo, com Peter, Paul and May, Joan Baez nos Estados Unidos. No Brasil nos anos 60 foram os sambas e nos anos 70 as músicas de raiz. Da África veio à voz de Mirian Makeba. De todos os cantos do mundo tinha uma voz cantando uma música folclórica para lutar contra desmandos e ditadura. Foi nesse contexto que Mercedes Sosa floresceu. Vestida de negro, batendo bumbo, cantando com sua voz de contralto Mercedes no palco era uma figura lúgubre e lamentosa anunciando que o tempo era de sofrimento. Assim como Joan Baez, Mercedes passou de música folclórica para músicas contemporâneas que protestassem. Joan Baez gravou Bob Dilan e Mercedes gravou Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui, Ernesto Grenet. Nos anos 70 já havia uma resistência musical que unisse a américa latina. Artistas como Dércio Marques, Diana Pequeno, Pena Branca eXavantinho, Tarancon começaram a mesclar essa diversidade musical andina e brasileira. Mercedes vem para São Paulo e canta com Milton Nascimento e sua integração com o lado de cá dos andes estava completa. Mercedes tinha a sensibilidade de escolher músicas como “Gracias a La Vida” como um hino a vida e a raça humana e que estava sendo dizimada pelas ditaduras latinas e guerra do Vietnan. O carinho e a devoção materna que protege sua criança diante das mazelas do mundo em “Duerme Negrita”. E assim Mercedes com sua geração foi dando um alento ao desespero humano, criando uma esperança. Até sua morte ela foi contemporânea dando espaço para as novas gerações como por exemplo Fito Paes e cantando com veteranos como Charles Aznavour. Mercedes tocou os corações dos engajados, dos apaixonados, dos poncho e congas, enfim todos aqueles que viam na música um mundo melhor.
Lazaro de Oliveira

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