segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Morre Mary Travers do grupo Peter, Paul and Mary. Quem mesmo?


Esse é um bom momento para lembrar o que foi o trio Peter, Paulo and Mary. Vamos situar esse trio no início dos ano 60 quando se dedicava a música folclórica americana. Por favor não é musica country é folclórica mesmo. O rock deixava de ser um canal de expressão da classe média americana já que tinha sido domesticada pela indústria cultural e se transformado em twist, hully Gully etc. As canções folclóricas eram de uma certa forma ingênuas e que pairavam pelo imaginário popular americano. As vozes eram muito bem trabalhadas e de ricas harmonias.

Essa qualidade vocal vai influenciar enormemente as novas gerações como Joan Baez, Simon and Garfunkel, The Mamas and Papas e Bob Dylan. Por serem pacifistas, não podemos esquecer que a ameça nuclear estava logo mais ali na esquina celebrando a guerra fria, acabaram se transformando em representantes do que ficou conhecido por “música de protesto”.

Em tempo: a guerra do vietnan e a luta pelos direitos civis do negros ajudavam nesse clima de protesto.

No encontro anual de música folclórica em 1963 nos Estados Unidos o trio apresentava ao público “Blowin’In The Wind” do novato Bob Dylan. E foi neste festival que Pete Seeger canta “Guantanamera”, uma canção que fala sobre uma garota nascida em Guantanamo em Cuba e foi a canção mais cantada pelos revolucionários cubanos nas noites em que a saudade da família e da namorada era tão companheira quanto a arma que carregavam. “Guantanamera” faria sucesso na voz do grupo Sandipipers e mais tarde na voz de Trini Lopes.

Poucos anos mais tarde Bob Dylan era vaiado neste mesmo festival por usar guitarras elétricas da mesma maneira que conservadores criticaram os tropicalistas por colocar guitarra em sambas.

Peter, Paul an Mary seguiram cantando músicas cuja ingenuidade era um porto para se sonhar por dias melhores e felizes. Cantaram Lemon Tree, aquela que traduzida fez sucesso nas voz de Wilson Simonal, 500 Mile, If I Had a Hammer, no Brasil faria sucesso com a versão italiana de Rita Pavone, Puff The Magic Dragon, This Land is Your Land do possível primeiro beatnic Woodie Gutrie que correu os estado Unidos com violão cantando sua músicas, Cruel War e El Salvador. Eram outros tempos em que a solidariedade era um bem maior que a individualidade e que hoje sem dúvida deixa um gosto de um saudosismo ingênuo.
Um dos momentos mais importantes do Trio quando foram convidados para cantar em 24 de abril de 1971 em Washington na marcha contra a guerra do vietnam.
Dias antes da marcha cantaram com o reverendo Martin Luther King, isso dá uma mostra do que foi esse trio e o que representavam para os jovens da época.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Gainsburg e a música francesa

Gainsbourg Imperial


Dentro da programação Ano da França no Brasil foi maravilhoso rever o quanto importante foi a cultura francesa para com essa terra mãe gentil. A França foi pra nossa cultura um berço de civilização e cultura. Foi essa cultura que nos deu a USP – Universidade de S. Paulo e foi na Sorbonne que alunos da USP se tornariam mestres. Foi a França que nos anos 50 embalou a nós brasileiros e aos americanos a angústia da guerra fria onde a guerra atômica poria fim ao mundo. Jazzistas rumaram a França numa diáspora provocada por uma reação ao movimento dos direitos civis dos negros e pelo mercado que via no rock um novo jeito de ganhar dinheiro. Em Paris cabarés eram palcos de improvisações onde a poesia, jazz e dança juntos mostravam a angústia de viver nesses tempos. Hoje, esse tipo de manifestação tem nome, performance, na época eram conhecidas como existencialistas. Foi um fenômeno mundial, nos Estados Unidos surgiram os beatnics. Na França surgia os poetas e letristas como Serge Guinsbourg, Jacques Brel, Michael Polnaref e Jacques Dutronc. Era o existencialismo na sua totalidade. Como amar se a vida não é perfeita, o mundo vai acabar e temos de ser felizes agora. E se tornaram poetas, letristas, atores, diretores de filme a tratar desses tempos. Malditos por se embriagar, brigar, fugiam do bom mocismo que a França esperava dessa geração pós guerra.
Suas musas, bonitas e despidas de pudor eram as que melhor podiam expressar naquela voz suave e meiga o que passava na alma francesa daquela geração. Estavam lá para serem amadas, Jane Birkin, Anna Karina, Françoise Hardy, Mirrele Darc, Brigitte Fontaine, Juliette Greco, Silvie Vartan, Marie Laforet. E foi um pouco disso que se viu no palco do SESC Pinheiros onde a Orquestra Imperial prestou uma homenagem a Serge Gainsburg. Das 21 músicas apresentadas 15 eram de Gainsburg cantadas por Thalma de Freitas e Nina Becker cantoras da Orquestra Imperial, por Caetano Veloso e a Jane Birkin. Músicas delicadas e de sentimentos profundos que a orquestra, que tradicionalmente toca músicas mais ritmadas soube dar conta. Participaram da homenagem o maestro Jean-Claude Vannier que trabalhou com Gainsbourg que e foi responsável pelos arranjos. Hoje a música francesa é tudo menos o que foi apresentado no palco. A hegemonia da música americana na Europa principalmente na França nasce da idéia de que tudo o que era feito nos Estados Unidos é moderno e a França precisava se modernizar. Hoje, a música francesa é muito mais o que é composta por imigrantes africanos que lá se refugiaram do que o acordeon das noite parisienses. Hoje a droga supre tudo o que a música no passado ajudava a lidar e essa geração foi importante principalmente quando se vê que os poetas eram muito feios e as musas eram bonitas e nós pobres adolescentes desajeitados também teríamos chance de amar uma musa tão bonita quanto as francesas.